sexta-feira, 3 de setembro de 2010

"E sem lhe dar tempo ao pânico libertou-se da matéria turva
que o impedia de viver. Confessou que não passava um instante
sem pensar nela, que tudo o que bebia e comia tinha gosto dela,
que a vida era ela a toda hora e em toda parte, como só Deus
tinha o direito e o poder de ser, e que o gozo supremo de seu
coração seria morrer com ela."
"Sei apenas que prefiro ser a mulher para quem ele corre do que aquela de quem ele foge e de certa forma garanti essa situação não ficando por perto".
"Fico tentado a lhe dizer muitas coisas, todas elas inúteis, começando por lhe recomendar um analista. Ela se antecipa.
- Espero que você tenha o bom gosto de não me sugerir uma terapia.
- E eu espero que você tenha o bom gosto de não se suicidar.
Luísa ri. Ela só comete suicídio em pequenas doses cotidianas.
- Em algumas fases mais, outras menos. Comecei a me matar aos 17 anos e não parei até hoje".

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dessa vez não vou querer tudo de uma vez, porque sempre acabo ficando sem nada no final.
Estou apostando minhas fichas em você e saiba que eu não sou de fazer isso. Mas estou neste momento frágil que não quer acabar. Fiquei menos cafajeste, menos racional, menos eu. E estou aproveitando pra tentar levar algo adiante. Relacionamentos que não saem da primeira página já me esgotaram, decorei o prólogo e estou pronta pro primeiro capítulo.
Mas, você sabe? A primeira vez que a gente se apaixona é inesquecível. Pois é. A primeira foi quando o conheci. Todas as outras vezes, foi quando olhava pra ele. Era super simples. Natural eu diria. Como respirar. Isso mesmo, como respirar, simples e inevitável. É mais ou menos assim:quando você quer alguém tanto e isso é impossível, pode não ter nada quanto ter tudo, não faz diferença. Porque nada nem ninguém... é nem parecido com o que o amor da sua vida é. Sempre foi um amor perdido, sabe? Perdido, mas sempre lembrado. O que dói é isso. É nunca se esquecer de vez. E não poder lembrar de tudo. Porque na verdade, só o nada prevalece.
Eles não estavam trocando juras de amor, não andavam de mãos dadas, nem se chamavam por nomes infantis. Não tinha pieguice romântica ali. Mas foi a cena mais doce que eu vi: dois olhares se encontrando. Não só se encontrando: se confortando, se sabendo, se completando. Eu notei que eles eram algo além de amigos, que se desejavam e se protegiam, e foi só pela cumplicidade dos olhos, que deixavam de ser dois e se enlaçavam quatro.
… pois havia momentos em que não se podia nem pensar nem sentir.
E quando não se consegue nem pensar nem sentir ..
- onde se está?